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Almoço com Empresários aborda futuro econômico de Londrina 

Julia Simões/Assessoria ACIL

Na última quinta-feira (13), aconteceu mais uma edição do Almoço com Empresários em parceria com Sicoob, Garanticoop e Hospitalar. Cerca de 40 empresários estiveram presentes no Restaurante Ermetto para se aprofundarem no tema “Desafios para um futuro econômico sustentável em Londrina”, apresentado por Marcos Rambalducci, professor de Economia na UTFPR e Consultor Econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL).

Angelo Pamplona, presidente da ACIL, iniciou o evento discursando sobre a relação entre o tema e o Masterplan Londrina 2024. “O Masterplan foi criado pela sociedade de Londrina para que os projetos que ali elencados fossem realizados pelo poder público para Londrina chegar em 2040 sendo uma cidade melhor, onde as empresas ganham mais, promovemos desenvolvimento, mais emprego e a nossa cidade cresce”, destacou.

O presidente ainda comentou sobre a relação entre o projeto e a sustentabilidade econômica de Londrina.  “É importante que os empresários tenham esse conhecimento do que é o Masterplan. A gente tem o compromisso de crescer de uma forma sustentável para que Londrina chegue em 2040 como uma cidade desenvolvida, com crescimento populacional ordenado, com qualidade de vida para as pessoas, e as empresas fortalecidas gerando emprego e renda para a nossa cidade”.

Desindustrialização 

Marcos Rambalducci iniciou a palestra contextualizando os empresários sobre a história econômica de Londrina. Apesar de reconhecer o papel do agronegócio para a cidade, o consultor ressaltou que é preciso compreender o processo de desindustrialização e seus efeitos. “O fato é que, embora seja incontestável a importância do agronegócio, nós precisamos ter condições de alavancar um pouco mais essa vantagem competitiva que nos dá este agronegócio. Nós precisamos entender por que Londrina passou por um processo de desindustrialização que foi bastante significativo”.

Segundo Rambalducci, é necessário aumentar a participação do setor industrial no PIB de Londrina. “Nós vivemos uma balança que não está ajustada. Nós temos uma hipertrofia no setor de comércios e serviços e uma atrofia no setor da indústria. Nós precisaríamos mudar essa história”, ressaltou.

Os setores de serviço e comércio garantem a democratização da renda e a movimentação da economia. No entanto, conforme explicou o palestrante, é preciso investir nos setores industrial e de turismo para que a cidade se desenvolva de maneira significativa. “O turismo traz pessoas para gastarem aqui dentro e a indústria junta os fatores de produção e vende lá para fora”, detalhou.

De acordo com o economista, a indústria tem participação de apenas 16,6% no PIB de Londrina, índice menor que o de cidades como Ibiporã (23%), Cambé (29%), Arapongas (33%) e Rolândia (34%). Enquanto as cidades citadas foram incrementando o setor industrial ao longo dos anos entre 2002 e 2022, Londrina foi no caminho oposto.

Outro alerta compartilhado durante o almoço foi sobre os impactos do processo de desaceleração na arrecadação de impostos. “Se você tem menos impostos, tem menos saúde, menos educação, menos segurança. Como é que você vai investir? É muito complicado”, comentou.

O economista enfatizou que o setor industrial se diferencia dos demais pela facilidade em gerar valor e alerta que, para alavancar o setor de comércio e serviços, é necessário impulsionar o setor da indústria e da manufatura.

Alternativas 

Entre as soluções apresentadas pelo palestrante para que Londrina se desenvolva economicamente está a indústria de cadeia longa e local, como as indústrias de base tecnológica. “A indústria é, com excelência, um processo de cadeia longa, ou seja, precisa de muitas outras empresas trabalhando para servi-la. Nós precisamos de indústrias de base tecnológica. Precisamos de empresas que atuem a nível mundial, que vejam o mercado brasileiro como um mercado potente”, alertou.

Rambalducci ainda detalhou aos empresários o efeito em cadeia gerado pelo setor industrial. “Quanto maior a indústria, maior a sua capacidade de atrair novas indústrias e, quanto mais próximas elas estiverem, mais elas se sentirão atraídas uma pela outra”. O consultor ainda compartilhou sugestões de segmentos que poderiam contribuir para o desenvolvimento econômico da cidade, tais como o setor de carros elétricos, células fotovoltaicas, robôs industriais, drones agrícolas e proteína animal.

Perspectivas

Durante a palestra, o economista explicou que, atualmente, Londrina não possui recursos financeiros para fazer a transformação necessária e que, para que isso ocorra, é preciso atrair empresas de fora. “Nós precisamos de entre 14 e 30 bilhões de reais investidos nos próximos 8 ou 10 anos para realizar esse pivotamento, para transformarmos Londrina em uma cidade equilibrada, onde a entrada de recursos financeiros seja suficiente para promover a circulação do dinheiro e fazer o povo londrinense muito mais feliz”, detalhou.

Em sua fala de encerramento, Rambalducci ressaltou a relação entre inovação e geração de valor. “O valor é criado quando a inovação está embarcada no processo ou no produto que será disponibilizado ao mercado. A manufatura industrial é um agente natural de criação de valor por inovação tecnológica, pois ao produzir em escala, pequenas vantagens são replicadas aos milhares”.

O palestrante também alertou os empresários sobre a importância de pensar na geração de valor como um benefício coletivo. “Valor só é interessante se ele estiver distribuído. Valor concentrado não leva nenhuma cidade, nenhuma população, nenhuma sociedade a ficar melhor”, concluiu.


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