Fonte: JL
As 248 empresas londrinenses que importam produtos estão pagando mais caro por usar os terminais internacionais de carga alfandegários (Tecas) da Infraero em Curitiba, Guarulhos ou Viracopos e 30% delas ficam com os produtos armazenados por mais de dez dias antes da liberação. Se utilizassem o Teca de Londrina, o custo de armazenagem poderia ser 45% menor e a liberação, mais ágil. Segundo o gerente de Negócios e Mercados da Infraero, Rodrigo Medeiros, pela armazenagem em Curitiba, o importador londrinense paga hoje 1,1% sobre o valor da carga, frete e seguro, para os primeiros cinco dias. “Em Londrina, a taxa é de 0,6%. E Curitiba atende centenas de empresas, o que significa que, em agilidade na liberação, Londrina também sairia ganhando”, aponta.
Esses foram alguns dos esclarecimentos prestados no Fórum Infraero de Logística para o Desenvolvimento, realizado ontem, em Londrina, para representantes de importadores e exportadores, agentes de carga, órgãos públicos e outros segmentos ligados ao comércio exterior. O evento faz parte da estratégia da Infraero para tentar conscientizar empresários e despachantes a conhecerem o Teca que, desde sua inauguração, há cerca de quatro anos, vem sendo subutilizado. Em 2012, segundo dados da própria Infraero, dos três terminais de cargas existentes no Estado, o londrinense foi o que menos movimentou importações e exportações – apenas uma tonelada em materiais. Curitiba registrou 44 mil toneladas e Foz do Iguaçu, 555 toneladas.
Segundo Medeiros, três empresas londrinenses importam mais de US$ 50 milhões por ano, 35 importam entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões e 210 importam até US$ 10 milhões. “Desses volumes, 72% são nacionalizados em Curitiba, 16% em Viracopos e 12% em Guarulhos. Só em Curitiba, no ano passado, essas empresas pagaram R$ 2.337.936,80 em taxas de armazenagem. Se tivessem deixado o mesmo período em Londrina, esse valor cairia para R$ 1.779520,35, com uma economia de R$ 558.416,45.”
Segundo o superintendente da Infraero em Londrina, Marcus Vinicius Pio, o grupo presente ao fórum irá discutir as dificuldades e gargalos que impedem a utilização do Teca de Londrina. Pio diz que a falta de técnicos da Receita Federal, Ministério da Agricultura e Anvisa – para a rápida liberação das cargas – já foi superada.
Terminal poderá atrair empresas
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, saiu satisfeito do fórum. Segundo ele, aquilo que estava atrapalhando a movimentação de cargas no Teca “foi consertado”. “Agora é fazer com que o terminal, que já existe de direito, passe a existir de fato, com a movimentação de cargas.” Para ele, um Teca atuante em Londrina é um atrativo comercial para qualquer empresa. “Com custo menor e mais rapidez na liberação, é mais um ativo que Londrina oferece para atratividade de empresas.”
O empresário Nivaldo Benvenho, que liberou uma guilhotina de quase dez toneladas importadas da Alemanha pelo Teca de Londrina, se diz muito satisfeito. “Eu me propus a testar a importação via marítima pelo Terminal e foi um sucesso. A liberação foi em tempo recorde, houve um profissionalismo muito grande por parte dos envolvidos.” Segundo ele, o custo – que envolveu o transporte da máquina do Porto de Paranaguá até Londrina, em um caminhão container – foi praticamente igual ao que seria se tivesse pago as tarifas de Curitiba. “Não houve adicionais. Mas se colocar na ponta do lápis a velocidade com que a liberação foi feita, a sensação de segurança da carga estar ao meu lado, aí o custo foi bem menor.”