Dizem que o orçamento municipal é sempre unânime, pois não consegue agradar a ninguém. A piada foi lembrada durante a audiência pública que discutiu a Lei Orçamentária Anual, na segunda-feira (31), e traduz, com boa dose de ironia, a dificuldade enfrentada pelo poder público ao lidar com recursos sempre menores do que o desejado.
Por se tratar de uma estimativa, existe a possibilidade de insuficiência de arrecadação, já que as fontes de recursos são escassas. Ou seja, há boas chances de o dinheiro disponível ser ainda menor do que o previsto.
Tudo indica que, mesmo com um aumento de 4,1% no orçamento, os recursos municipais vão continuar insuficientes em 2027. Equilibrar as contas públicas será um desafio, exigindo esforço redobrado para manter o básico em funcionamento.
Mas o que está sendo feito para diversificar a arrecadação municipal e, por consequência, diversificar a matriz econômica da cidade, gerando mais receita, emprego e produtividade? Trata-se de uma responsabilidade que não cabe apenas ao poder público, mas também ao setor produtivo.
A industrialização de cadeia longa, capaz de beneficiar comércios e serviços, é apontada, ao lado do turismo, como uma possível solução. Mas a Reforma Tributária, ainda em plena transição, torna o cenário ainda mais incerto. Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer com as empresas e com a própria economia local — e, nesse contexto, nenhuma previsão se sustenta com segurança.
A busca por soluções cabe a todos nós e pode começar no dia a dia empresarial, com pequenas mudanças impulsionadas pela inovação. Uma coisa é certa: sem uma estratégia clara — como alerta o MasterPlan Londrina 2040 —, dificilmente conseguiremos superar as incertezas para alcançar o desenvolvimento.
Vera Antunes, presidente da ACIL.



