Fonte: Folha de Londrina
O número de consumidores que percebem que pagam impostos aumentou, principalmente pelo maior acesso à informação e pelo crescimento da renda familiar. A pesquisa anual Impacto de Tarifas e Tributos no Brasil, encomendada pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), foi divulgada ontem e mostra que 74% dos brasileiros reconhecem as taxas no cotidiano neste ano, fatia que era de 62% em 2011.
Conforme aumenta a renda familiar, o grau de consciência é ampliado. Nas classes socioeconômicas A e B, 80% das pessoas sabem que pagam impostos no dia a dia. O número cai para 75% na classe C e para 58% na D. Sobre tributos cobrados na compra de produtos, 96% das pessoas entrevistadas reconhece o pagamento de taxas.
Presidente do Instituto Brasileiro do Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike diz que as pessoas começam a perceber mais que, quando não pagam imposto direto ao governo, pagam ao consumir. Ele credita o crescimento principalmente aos feirões do imposto e à maior quantidade de notícias sobre o tema.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, considera três motivos para a mudança de comportamento do consumidor. Ele diz que o acesso facilitado à informação, principalmente pela internet, a divulgação de associações e federações de comércio e as denúncias de corrupção política e mau uso do dinheiro público. ''Se tivéssemos serviços de qualidade proporcionados pelo imposto, as pessoas não se indignariam com o quanto pagam de tributos.''
Balan defende formas de dar ainda mais informação ao consumidor, com a manutenção de portais de transparência e com a discriminação em notas fiscais do valor de cada imposto sobre os produtos. Da mesma forma, Olenike critica a demora para aprovação do projeto de lei 1.472/2007, que exige a informação em boletos sobre a quantidade de tributos no custo.
O presidente do IBPT diz que o texto já passou pelo Senado e está parado na Câmara dos Deputados há cinco anos. ''Falta vontade do governo em divulgar na nota porque ele não quer que o povo saiba quanto paga de impostos. Caso contrário, as pessoas vão começar a cobrar uma melhor aplicação dos recursos, o que o governo não quer que aconteça.''
Mudança
Para a Fecomércio-RJ, o maior acesso aos financiamentos na classe média e a geração de mais empregos formais também resultou em aumento da percepção popular sobre impostos. Tanto que a maior mudança foi na classe C, que passou de 59% de consciência sobre impostos no cotidiano em 2011 para 75% neste ano. A variação na AB foi de 3 pontos percentuais e na D, de 5.
Se pagasse menos impostos, 77% dos consumidores optaria por gastar mais com alimentação, 73% seria com vestuário, 66% buscaria itens de higiene e 55%, com saúde.
A pesquisa foi feita em 70 cidades, das quais nove regiões metropolitanas.