Após “colaborar” com Ministério Público, Joaquim Ribeiro deixa prisão

Em novo depoimento ao órgão, ex-prefeito admitiu ter ficado com R$ 50 mil do dinheiro recebido de empresários para pagar despesas do terceiro turno em 2009

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Fonte: Jornal de Londrina

O ex-prefeito José Joaquim Ribeiro (sem partido) obteve a liberdade na noite de ontem, com a anuência do Ministério Público (MP), após um novo depoimento aos promotores. Ribeiro foi preso na semana passada, em Santa Catarina, e passou o final de semana na Penitenciária Estadual de Londrina. Com o novo depoimento, tornou-se, efetivamente, colaborador das investigações sobre o esquema de compra de uniformes escolares superfaturados a partir de pagamento de propina a agentes públicos da Prefeitura.


No novo depoimento dado ontem à tarde, Ribeiro voltou a confessar o recebimento de R$ 150 mil em propina em duas oportunidades. Primeiro, obteve R$ 50 mil em um envelope lacrado durante reunião com os empresários ligados às empresas de uniformes escolaresdentro de uma escola pública municipal onde Barbosa fazia o atendimento do “Prefeitura nos bairros”. Depois, confessou ter arrecadado com os empresários outros R$ 100 mil, recebidos no estacionamento de um shopping no centro, na companhia da ex-secretária Karin Sabec, também colaboradora da investigação.

De acordo com a confissão, Ribeiro entregou R$ 50 mil a Lindomar dos Santos, amigo particular e ex-secretário de Fazenda, e outros R$ 50 mil ao ex-prefeito Barbosa Neto. Ambos negam. Com a terceira parte da propina – R$ 50 mil – Ribeiro alegou aos promotores ter pago, ele próprio, despesas da campanha de 2009, após o “terceiro turno” que levou Barbosa à Prefeitura.

Entre as despesas pagas por Ribeiro com a “ajuda” dos empresários dos uniformes estariam dívidas com a empresa de segurança da campanha de Barbosa, mas os promotores não quiseram dar detalhes sobre a empresa.

Ribeiro também forneceu informações que podem ajudar na investigação dos desvios da saúde, esquema desvendado na Operação Antissepsia, iniciada pela Promotoria Estadual e hoje sob responsabilidade da Polícia Federal.

Emendas
Em outubro do ano passado, o JL revelou que dois deputados cariocas apresentaram R$ 18,5 milhões em emendas a serem direcionadas para a saúde pública em Londrina. A “importação” das emendas estaria condicionada ao pagamento de propinas de até R$ 925 mil. Na época, as emendas seriam destinadas a Londrina porque o ex-prefeito Barbosa Neto tinha amizade com os deputados Leo Vivas (PRB) e Vinícius Carvalho (PTdoB), autores da proposta. A Prefeitura, entretanto, desistiu dos recursos, nunca liberados.

“Ribeiro era apenas um boi de piranha”, afirmou o advogado Ricardo Flores, afirmando a condição de que o ex-prefeito era apenas um “funcionário” do esquema de propina.

Na avaliação do Ministério Público, o depoimento de Ribeiro foi “colaborativo e muito importante”, segundo classificou o promotor Renato de Lima Castro.

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