Os índices do Serviço de Proteção ao Crédito da Associação Comercial e Industrial de Londrina (SPC/ACIL) mostram um cenário cauteloso neste começo de ano. Ao mesmo tempo em que as negativações apresentam redução, os consumidores continuam com dificuldade para regularizar as dívidas atrasadas.
As inclusões na inadimplência vêm diminuindo, com queda de 34% em janeiro e queda de 38,1% em fevereiro, na comparação com os respectivos meses de 2025. “Esse resultado é compatível com um ambiente de maior seletividade do crédito e custo financeiro elevado, além de sinalizar possível avanço de consciência e autocontrole financeiro por parte das famílias”, comenta Marcos Rambalducci, consultor econômico da ACIL.
Regularização
Por outro lado, os indicadores do SPC/ACIL também apresentam redução entre os consumidores que conseguiram sair da lista de inadimplentes, que estão com maior dificuldade para “limpar o nome”. Em janeiro, a queda foi de 35%, enquanto em fevereiro o índice caiu 48% na comparação com o mesmo período de 2025. “Esse resultado sugere maior persistência da inadimplência, indicando que, uma vez inadimplente, o consumidor encontra mais dificuldade para recompor o orçamento e concluir acordos de regularização”, acrescenta Rambalducci.
Consultas
As consultas realizadas no SPC pelo comércio, que representam a atividade de crédito no varejo e a intenção de compra financiada, apresentaram um recuo de 4,5% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2025. “Esse movimento sugere menor demanda por compras a prazo, seja por política mais conservadora de concessão, seja por maior aversão do consumidor ao crédito”, complementa o economista.
Análise
Observando os dados, a conclusão é que os consumidores estão cautelosos com o orçamento doméstico: “Os resultados de fevereiro apontam para um ajuste defensivo nas finanças das famílias e no comportamento do varejo, O fluxo das novas negativações diminuiu, mas também reduziu a capacidade de regularização das pendências já existentes. Para as famílias, isso significa um cenário em que a recomposição financeira ocorre de forma mais lenta, com provável priorização de despesas essenciais e menor espaço para amortizar dívidas antigas. Para o varejo, o cenário indica a necessidade de priorizar vendas à vista com incentivo de preço (descontos), dado o encolhimento da base elegível ao crediário e a maior aversão das famílias ao endividamento”, analisa Rambalducci.



