10/04/2017 08:07:19 Você sabe o que é Design Thinking?

Fonte: Revista Mercado em Foco - ACIL - Por ​Thamiris Geraldini

Na sabedoria popular, todos nós sabemos, é a união que faz a força. No campo das boas ideias há também um consenso semelhante: a pluralidade é responsável pelos melhores insights, afinal, nenhuma boa ideia nasce sozinha.

É exatamente isso que o Design Thinking (DT) propõe. Apostando na multiplicidade da discussão dos problemas e na busca por soluções práticas através da coletividade, ele tem incorporado uma nova forma de trabalhar, oferecendo boas estratégias para o campo empresarial.

Em termos gerais, o DT propõe uma forma de agir e pensar muito diferente dos modelos tradicionais de gestão. Ao invés de apresentar soluções de problemas apenas em estudos de mercado e grupos de discussão de empreendedores, ele recomenda que as situações sejam solucionadas por meio de um olhar mais atento às pessoas que utilizarão determinado produto ou serviço, observando o cotidiano desse grupo e trazendo-o para dentro da discussão. É como se as empresas aprendessem a decifrar os anseios dos consumidores se colocando no lugar deles, numa espécie de ‘menos inspiração e mais transpiração’. Assim, ao invés de buscar soluções com respaldo em planilhas e discussões entre gestores, o trabalho é mais prático e democrático, inclui pesquisas de campo e testes com usuários.

Para a publicitária e idealizadora do Look Up Lab, laboratório de experimentação de Londrina com foco em Design Thinking, Natália Franzon Catarino, a grande ‘sacada’ do DT é a ampliação do debate e a fusão de ideias a partir do envolvimento de outras partes no processo, como o próprio usuário e o fornecedor de determinado produto ou serviço.

“Desenvolver algo a partir da perspectiva de quem vai usar é muito diferente de desenvolver algo apenas da perspectiva de quem vai vender”, pondera. “A amplitude no debate aumenta a percepção da empresa em relação ao cliente, assim, você diminui a possibilidade de erro, pois tem um produto desenvolvido a partir do olhar de quem realmente vai utilizá-lo”, explica. “Sem dúvidas isso torna os processos mais acelerados e assertivos”.

A estratégia pode até parecer meio óbvia para muitas pessoas, porém, só quem vive a exigência de soluções rápidas e a cobrança por resultados satisfatórios sabe que, no dia a dia das empresas, muitas vezes a prática pode não ser tão facilmente executável.

Pensando nisso, consultorias e capacitações voltadas para o DT têm ganhado força no mercado, já que, embora o método seja facilmente aplicável, é importante que ele seja desempenhado por profissionais que entenderam bem as etapas do processo.

Afinal, que etapas são essas?

O Design Thinking se sustenta sob três pilares: foco no ser humano, envolvimento de usuários com a co-criação e prototipagem de ideias. Um dos grandes, se não o maior desafio do Design Thinking, é antes de tentar achar respostas para os problemas, definir as perguntas certas, considerando que não existe uma receita única possível para um projeto, mas sempre existirá uma solução.

Para exemplificar uma aplicação real do DT no dia a dia de uma grande empresa, a Havaianas, marca brasileira que comercializa produtos no mundo todo, buscava uma forma de expansão no mercado apresentando um produto novo que não fosse as sandálias, mas que tivesse a mesma visão descontraída e alegre da marca.

Para descobrir qual produto deveria ser comercializado atendendo o desejo do consumidor, a Alpargatas, dona da grife, contratou a agência Ideo, líder em DT no mundo e, após a aplicação do método, desenvolveram uma bolsa feita com o mesmo material dos chinelos que pudesse ser usada tanto na praia como na cidade. Dezenas de protótipos foram testados em capitais de três continentes, além do litoral brasileiro. Hoje as bolsas são vendidas nos Estados Unidos e na França.

Conheça as fases do método DT

Etapa 1

A observação e o trabalho de campo apontarão o problema ou a necessidade do consumidor. É considerada a fase mais importante, pois envolve imersão no ambiente e a descoberta real do problema sob o ponto de vista do usuário. É a etapa cujo consumidor final entra como parte do processo de desenvolvimento do produto.

Etapa 2

Aqui une-se o máximo de pessoas com o objetivo de se obter o maior número possível de ideias para encontrar uma solução do problema percebido na etapa anterior. O intuito é que o problema seja observado de várias perspectivas e ângulos.

Para a professora, mestre em Comunicação e especialista em Design Thinking, Amanda Larissa Zilli, o segundo estágio permite o surgimento de ideias pra lá de interessantes. “Depois de descobrir o problema também pela ótica do consumidor, buscamos ‘insights’ [ideias] da maior quantidade de pessoas a fim de resolvê-lo. Essa diversidade pode contribuir para o surgimento de soluções inusitadas. Aqui é que as ideias e sugestões fluem de todos os lados, sem nenhum medo de errar. O DT não reprime erros, mas enxerga-nos como experiências que possam ser transformadoras.”

Etapa 3

Todas as possibilidades de resolução do problema devem ser colocadas à prova através do processo de prototipagem. Neste momento cabe a possibilidade de se produzir versões físicas de um produto antes dele ser fabricado efetivamente, o que contribui para a execução ideal, já que antes do resultado final é possível testar quantas vezes forem necessárias.

O gestor de design, Gabriel Macohin, explica que há uma série de vantagens em se criar protótipos do produto, entre elas ver a possibilidade de experimentar, avaliar e aperfeiçoar o processo, visando resultados de qualidade. “Nesta etapa conseguimos chegar à solução fugindo do empirismo ou da aplicação às cegas”, revela. “Antes de apresentarmos o produto ou solução final, realizamos testes e experimentos para garantir que a aplicação final será efetiva e atenderá o propósito inicial”, esclarece. “Com a prototipagem temos a garantia de que o produto final será desejável, possível de fazer e fácil de vender.”.

Etapa 4

É a fase final, onde a resolução do problema é efetivamente apresentada com a execução da melhor ideia levantada nas etapas anteriores. Nesta ocasião, a dificuldade apontada no primeiro momento deve ser solucionada.

História

A discussão da proposta de usar a mentalidade do design na estratégia de negócios começou em 2006, durante o Fórum Econômico Mundial, e passou a ser reconhecida durante a crise financeira de 2008. À época, uma alternativa ao modelo econômico precisava surgir, já que ele parecia insustentável diante de um mundo global e complexo. Google e Apple passaram a ser referências de empresas que adotam o método para administrarem seus negócios.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com gestores de Design Thinking apontou que cerca de 80% deles notaram que as empresas geraram soluções mais criativas e mais ágeis ao utilizar o método. O mesmo estudo mostrou também as vantagens nos resultados financeiros: mais de 70% dos gestores entrevistados perceberam melhora nas finanças das empresas.