Fonte: Folha de Londrina
Com o fechamento de indústrias, entidades começam a buscar soluções para que as empresas dos setores têxtil e de vestuário não encerrem suas atividades. O comércio eletrônico, na visão do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário do Paraná em Londrina (Sivepar Londrina) e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Londrina (Sinditêxtil), é uma alternativa de investimento mais baixo e que pode ajudá-las a se reerguerem.
"Para vencer a crise, buscamos soluções para ajudar as indústrias", diz a executiva do Sivepar Londrina, Anna Cristina dos Santos. "Até a indústria querendo fechar poderia reverter a situação porque o investimento é menor, não precisa ter um quadro grande de funcionários, e pode-se terceirizar o trabalho." Segundo Lara Silva, executiva do Sinditêxtil, as indústrias do setor têxtil ainda "têm medo do e-commerce". "As empresas estão fechando. Queremos mostrar ferramentas para elas continuarem trabalhando, vendendo produtos, exportarem."
Nesta quarta-feira,8, o Sivepar e o Sinditêxtil realizaram um evento sobre o e-commerce para os empresários dos setores têxtil e de vestuário. André Yui, fundador e CEO da Key Design, marca de acessórios nascida em Londrina, começou suas atividades no varejo virtual e só agora está passando a vender no varejo físico.
Há um ano e meio, criou uma plataforma de vendas on-line para o atacado, mostrando que o comércio eletrônico não se dirige apenas ao consumidor final.
Yui conta que a escolha do ambiente on-line para as vendas, de início, se deu pelas características de seu negócio. Para ele, o segmento de acessórios em que está inserido – que inclui acessórios masculinos – iria demorar a "pegar" no Brasil. "Já existe demanda, mas ela está bem dispersa." Além disso, o empresário queria agregar escalabilidade ao negócio, e a marca ainda "não tinha uma linha de produtos para encher uma loja".
Na época, o empresário investiu R$ 7 mil no "setup" de sua primeira plataforma, e o faturamento da empresa cresceu 400% nos últimos dois anos. O maior fluxo de vendas do varejo está no site próprio, mas a Key Design também comercializa em market places como Kanui e Dafiti. Nas vendas on-line para o atacado, Yui também afirma ter bons resultados. Junto ao varejo físico, a ideia é atuar em múltiplos canais, que se integram, diz o empresário.
"SEGUNDA EMPRESA"
Ao tornar maior o alcance das empresas, o comércio eletrônico também pode expandir as vendas para além das fronteiras nacionais. De acordo com André Limp, supervisor da Agência Brasileira de Promoção de Exportadores e Investimentos (ApexBrasil), a moda brasileira tem grande destaque no cenário internacional."Dois segmentos de grande destaque no Brasil é moda íntima e praia. A criatividade, o ambiente tropical, os estilistas, a beleza da mulher brasileira contribuem para o Brasil sair ganhando em posicionamento de marca."
Entrar no comércio eletrônico, no entanto, exige que o negócio trate a sua plataforma on-line como se fosse uma segunda empresa, acrescenta Limp. Afinal, o e-commerce exige uma logística mais bem preparada para atender a uma demanda maior de vendas e conhecimento complementar em assuntos como segurança de dados e questões jurídicas no ambiente digital.
Em relação à tecnologia, escolher a melhor plataforma de comércio eletrônico para o negócio não depende, necessariamente, de fazer o maior investimento. Núbia Mota, gerente comercial da VTEX, desenvolvedora da plataforma de e-commerce de mesmo nome, comenta que mesmo uma grande marca de calçados brasileira escolheu uma plataforma gratuita para vender uma nova linha de produtos. "É a pessoa estudar para ver o que cabe em seu caso."



