Nós, empresários, como grande parte da população brasileira, estamos abismados com as revelações envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal. E também com as ações consequentes, que resultaram em uma guerra pública de decisões contraditórias.
Não se pode admitir que a mais alta Corte da Justiça brasileira se deixe contaminar pelo discurso político em plena campanha eleitoral. Ministros que deveriam zelar pelo equilíbrio e ponderação estão priorizando o interesse particular e esquecendo o público. O quadro é ainda mais grave por conta de relações suspeitas com um grande fraudador do sistema financeiro nacional.
Como guardião da Constituição, cabe ao Supremo aplicar o artigo 102 de nossa Lei máxima e investigar seus próprios ministros. É essa a decisão que precisa ser tomada em plenário durante votação na próxima terça-feira (15). Caso isso não ocorra, o Judiciário será profundamente descredibilizado. O Tribunal não pode ser complacente com ministros cujas suspeitas atentam contra o decoro exigido pela Justiça.
Uma Corte Suprema sob suspeita gera insegurança jurídica na economia, nos negócios e nos investimentos. Atinge e prejudica todo o país. Precisamos da proteção desse Tribunal, mas o que vemos são ministros protegendo a si mesmos.
A Constituição Federal em vigor foi promulgada em 5 de outubro de 1988. Há 38 anos. Quase quatro décadas se passaram e ainda constatamos a fragilidade de nossas instituições. O mínimo que se espera do STF é que haja com o rigor da Lei.
Pelo bem da democracia, pelo nosso bem.
Gerson Guariente Júnior, presidente interino da ACIL.
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