As eleições de 2026 se aproximam com novos desafios para quem trabalha com a informação. Para debater os limites da cobertura jornalística, passando por temas como a desinformação e a regulamentação da inteligência artificial, o Londrina Mídia Hub – Núcleo de Comunicação do Programa Empreender da Associação Comercial e Industrial de Londrina – realizou, nesta terça-feira (21), o evento Eleições 2026: Desafios para o Jornalismo, no Auditório David Dequêch.
Com um bom público formado por profissionais da Comunicação, o evento foi gratuito e contou com a participação do desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza (presidente do TRE/PR), Fernando Peres (advogado especialista em Direito Digital, Crimes Cibernéticos e Inteligência Artificial), Frederico Reis (advogado especialista em Direito Eleitoral), Marcus Renato Nogueira Garcia (juiz eleitoral da 146ª Zona Eleitoral de Londrina) e Nilso Paulo (advogado especialista em Direito Eleitoral).
Os participantes foram recepcionados por Vera Antunes, presidente da ACIL, que ressaltou: “Trazer autoridades reconhecidas para detalhar a legislação e dar orientações aos jornalistas é fundamental para a qualidade da informação e reafirma a importância do jornalismo profissional. Tudo isso traz transparência e legitimidade ao processo eleitoral. É uma ação que beneficia o jornalismo, beneficia as eleições e beneficia, por consequência, toda a população de Londrina”.
Convidado para falar sobre o tema Novas regras para as Eleições 2026, o Dr. Nilso Paulo alertou: “Um ponto bastante desafiador será como trabalhar com a Inteligência Artificial. A Inteligência Artificial não pode interferir na vontade do eleitor, porque o que se busca, ao final, é que o eleitor faça a sua manifestação de voto da forma mais livre possível. E é isso realmente que nós temos que perseguir para que a construção da sociedade seja uma construção justa e querida”, destacou.
Outro assunto complexo foi abordado pelo Dr. Frederico Reis: Limites do jornalista na cobertura eleitoral. O advogado salientou: “O direito à informação é fundamental para o eleitor. Cabe ao profissional de imprensa buscar essa informação, atestar a veracidade dessa informação e fazer circular essa informação para os eleitores. Este é o primeiro desafio que eu chamo de responsabilidade cívica do jornalista: trazer essa informação para o eleitor após a apuração, a aferição da sua veracidade e a circulação de ideias, de informação. Não pensem que isso é uma tarefa fácil”.
Para repassar a informação com toda a veracidade, a Justiça Eleitoral conta com estruturas e recursos detalhados pelo juiz Dr. Marcus Renato Nogueira Garcia ao tratar do tema A estrutura local e o atendimento à imprensa no Fórum Eleitoral: “É fundamental que os senhores conheçam, ao longo desse período, o trabalho da SECOM (Secretaria de Comunicação e Multimídia). É ela que centraliza as mídias sociais em perfis únicos da nossa Justiça Eleitoral e garante que a palavra que saia no site oficial seja a palavra oficial e autêntica da instituição, sempre com uma linguagem simples e de acessibilidade digital, fazendo com que aquele jargão jurídico, que às vezes soa um pouco complexo, seja facilitado para uma linguagem mais didática e mais universal”.
Entre os desafios levantados pela Inteligência Artificial, está a própria dificuldade de acompanhar e estudar a evolução das ferramentas, apontou o Dr. Fernando Pérez ao falar sobre Fake News, deepfakes, IA e os crimes cibernéticos do futuro”: “O nosso dever é buscar fontes confiáveis. A fake news, hoje, fala. Ela já está disponível para todos nós nesse sentido. E qual é o principal papel do jornalismo em relação ao usuário e à democracia? O maior incentivo que temos que dar a todos é buscar por fontes confiáveis”, reforçou.
Encerrando as explanações, o desembargador Luciano Carrasco Falavinha de Souza tratou do tema Como a Justiça vai coibir o uso irregular de IA na campanha, outro tema árido abordado pelo evento. “Diante de uma informação falsa, não repassem. Na dúvida, não repassem. Consultem antes. Já será um grande passo e vocês vão ajudar muito o TRE nesta eleição. Porque, nas grandes plataformas, dá tempo do TRE, do advogado, entrar com a ação, dar liminar e resolver o problema. Mas não dá para fazer isso no grupo do Zap, da família, da igreja, não tem como. Consultem antes de repassar qualquer informação. Na dúvida, não repassem. Isso vai ajudar muito a Justiça Eleitoral”.





